O ambiente de polarização política no Brasil dificilmente vai acabar em um curto prazo. Pelo andar da carruagem, a tendência é que ele perdure por muito tempo e, com isso, aumente a corrosão das nossas instituições e o abismo provocado pelos extremismos.
Em meio a esse prognóstico nada animador, está o falso discurso de pacificação nacional que uma parcela de políticos hipócritas prega enquanto age justamente para acirrar disputas, incitar rivalidades, criar narrativas e dividir o País. Pregar a pacificação é dever de todos, mas é uma responsabilidade maior de quem governa. No Brasil, esse esforço de reconciliação não existe.
O mais recente exemplo foi o desfile da escola de samba carioca Acadêmicos de Niterói, cujo pretexto foi prestar uma homenagem ao presidente Lula (PT), incontestavelmente um dos maiores líderes políticos da história do Brasil. A homenagem na avenida, com divulgação e transmissão em rede nacional no ano em que o homenageado será candidato, já seria motivo para levantar questionamentos. Mas não foi só homenagem.
O desfile não quis só enaltecer a história de Lula. Ele serviu para ridicularizar adversários políticos, atacar valores de uma parcela da população – concorde-se com eles ou não – e fazer uma acintosa provocação política apoiada com dinheiro público, realçando o nocivo ambiente de polarização e apostando cada vez mais no maldito ‘nós contra eles’, prática da qual nenhum dos lados, inclusive o governo, se dispõe a abrir mão.
Nesse contexto, o mais incrível é perceber que justamente os atores que aplaudem esse tipo de iniciativa são os mesmos que discursam bonito falando em pacificação nacional, em união das famílias, em cidadania, em democracia. Para estes, a pacificação nacional é apenas uma expressão bonita que lhes dá um verniz democrático, mas na prática não fazem um único gesto para alcançá-la.
Líderes que desejam unificar um país evitam acirrar rivalidades, emitem gestos de reconciliação, se abstêm de atos que provocam segmentos sociais, que afrontam religiões, que insuflam extremismos. Não é o que se tem visto no Brasil nos últimos anos.
É importante registrar que o governante anterior, o senhor Jair Bolsonaro, também costumava adotar a política do confronto como prática de seu governo. Isso, porém, não dá razão para o atual presidente e seu grupo manter esse estilo político desagregador e corrosivo. Quando assumiu o governo, Lula adotou o slogan “União e reconstrução”, que logo se revelou inútil, visto que o presidente e sua trupe, dia após dia, gastam energia depreciando oponentes políticos e acirrando rivalidades.
Mas não duvidemos: durante a campanha eleitoral que se aproxima, certamente vamos ver esses mesmos personagens falando em união, em pacificação e em respeito às diferenças. Vão falar bastante também em democracia, modelo político que muitos, a pretexto de defendê-lo, atacam rivais, condenam opiniões divergentes e criminalizam manifestações, desde que não seja, claro, uma homenagem ao seu "democrata" de estimação.







